terça-feira, 12 de maio de 2015

Produção de insulina

Está difícil mesmo escapar dos transgênicos hoje em dia. Os organismos geneticamente modificados (OGMs) estão mais presentes no dia-a-dia do que se imagina e não apenas nos campos de soja ilegal do Rio Grande do Sul. Nos supermercados, lanchonetes, hospitais e farmácias, o consumidor está cercado de produtos fabricados com o auxílio da biotecnologia e da engenharia genética. 

A história começa na década de 70, quando Herb Boyer e Stanley Cohen, dois pesquisadores americanos, desenvolveram a tecnologia de DNA recombinante, pela qual é possível transferir genes de um organismo para outro. Partindo do princípio de que o DNA tem sempre a mesma estrutura e obedece aos mesmos mecanismos biológicos em todos os seres vivos - bactéria, homem, cacto ou minhoca -, é possível tirar um gene de uma espécie e colocá-lo em outra, sem que sua função original seja alterada ou perdida. Se pensarmos no genoma como um livro e nos genes como palavras, a técnica funciona como um editor de texto: você pode cortar, copiar e colar - todos falam a mesma língua. 

O gene que coordena a produção de insulina em seres humanos, portanto, faz o mesmo dentro de uma bactéria, assim como o gene que codifica uma toxina contra lagartas numa bactéria vai fazer o mesmo num pé de milho. Nasceram, então, os organismos geneticamente modificados, também conhecidos como transgênicos. 

As tão debatidas variedades agrícolas - soja, milho e algodão - são apenas os frutos mais recentes dessa tecnologia. Organismos transgênicos, principalmente leveduras e bactérias, são usados há mais de duas décadas em processos para a produção de medicamentos e alimentos industrializados, como queijos, pães e refrigerantes. 

O primeiro produto derivado de um organismo transgênico chegou ao mercado em 1982. Era insulina, produzida por uma bactéria geneticamente modificada com um gene humano. Até então, a insulina injetada por diabéticos tinha de ser extraída de bois e porcos, por ser parecida com a humana, mas não idêntica, o que causava reações alérgicas. A insulina recombinante acabou com o problema, pois é exatamente igual à humana. 

Microrganismos transgênicos contribuem hoje para a produção de mais de 400 produtos de uso médico, desde vitamina C a medicamentos contra a aids, segundo dados da Associação Nacional de Biossegurança (Anbio). Outro exemplo é o fator humano de proliferação de células do sangue, sintetizado por meio de bactérias transgênicas há aproximadamente dez anos. 

Segundo o presidente do Hospital do Câncer, Ricardo Brentani, o fator recombinante foi essencial para viabilizar transplantes de medula óssea. "O gene inserido na bactéria codifica um hormônio que estimula a multiplicação de leucócitos, as células brancas do sangue, reforçando as defesas do organismo contra infecções após o transplante", explica Brentani. Ele cita ainda o fator 8 de coagulação do sangue, usado no tratamento de hemofílicos, o hormônio de crescimento humano e a vacina contra a hepatite B - todos recombinantes, ou seja, produzidos a partir de um organismo geneticamente modificado. 

Lavando roupa - Quando não estão sendo usados para salvar vidas, muitos OGMs são recrutados para tarefas do cotidiano, como lavar roupas ou adoçar bebidas. Fora da indústria farmacêutica, bactérias transgênicas são usadas principalmente na produção de enzimas, proteínas catalisadoras empregadas na fabricação de uma série de produtos de lavanderia, bebidas, pães e laticínios. Para o sabão em pó, por exemplo, produzem uma enzima que retira manchas de gordura com maior facilidade. 

Na indústria de laticínios, fungos e leveduras transgênicas fornecem a quimosina, enzima usada para dar consistência a cerca de 80% dos queijos disponíveis no mercado. Antes disso, a enzima precisava ser extraída do estômago de bezerros. "A vantagem é que o gene recombinante produz quimosina pura, em quantidades muitos maiores e sem precisar matar os animais", explica a especialista Alda Lerayer, responsável pelo Laboratório de Biotecnologia do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. 

Já a alfa-amilase recombinante é aproveitada na fabricação de xarope de milho com alto teor de frutose, usado como adoçante em refrigerantes e alimentos. Até mesmo a levedura usada na fermentação de cerveja é muitas vezes produzida por meio de organismos geneticamente modificados. Segundo Alda, cerca de 50% das enzimas utilizadas na produção de alimentos hoje são obtidas a partir de microorganismos recombinantes. "A biotecnologia faz parte da nossa vida há muito tempo, apesar de muitos não saberem disso", observa a bióloga Lúcia de Souza, da Anbio. 

A mesma tecnologia já está sendo usada, de forma experimental, na produção de bananas com vacina contra a pólio, cereais enriquecidos com vitaminas e outros nutrientes, e uma enormidade de produtos. Na pecuária, cientistas já desenvolvem bichos-da-seda transgênicos que sintetizam colágeno humano, vacas que produzem hormônios terapêuticos no leite e até cabras com proteína de teia de aranha, para fabricação de malhas super-resistentes. Graças à universalidade do DNA, as possibilidades de modificação genética são tão vastas quanto a biodiversidade. 

VIA:http://www.diabetenet.com.br/

Imagem via:slideplayer.com.br

Um comentário:

  1. A Biotecnologia é mesmo extraordinária! As novas possibilidades são mesmo inúmeras.

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