A biotecnologia está, muitas vezes, relacionada à
modificação genética de alimentos. Poucos sabem, no entanto, que essa é apenas
uma das aplicações dessa ciência. Hoje, 5 de junho, comemora-se o Dia Mundial
do Meio Ambiente. A data, criada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em
1972, tem como principal objetivo fomentar a adoção de práticas sustentáveis
para a preservação do meio ambiente. Você sabia que a biotecnologia já está
contribuindo para essa meta e que pode fazer muito mais?
De acordo com levantamento feito pelo Water Resources
Group, a agricultura é responsável por aproximadamente 71% do consumo de água
em todo o planeta (o equivalente a 3,1 bilhões de m³). A adoção da
biotecnologia no setor primário já está promovendo um uso mais eficiente desse
recurso natural. O cultivo de plantas geneticamente modificadas (GM) tolerantes
a defensivos químicos racionaliza a água usada para as pulverizações.
Levantamento da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (ABRASEM) e da
Céleres Ambiental revela que, entre os anos de 2010 e 2020, o uso dessas
variedades na agricultura brasileira poderá economizar aproximadamente 134
bilhões de litros de água – quantidade suficiente para abastecer Recife e Porto
Alegre por um ano.
Outra consequência positiva indireta da adoção de
transgênicos na agricultura é a redução da emissão de CO2 na
atmosfera. Isso acontece porque, como as lavouras GM tem manejo facilitado, há
menos necessidade do uso das máquinas agrícolas, reduzindo, assim, o uso de
combustível responsável pela liberação do CO2. Adicionalmente, há o
benefício associado da preservação do solo que é menos compactado por esse
maquinário. As vantagens agronômicas que as sementes transgênicas oferecem
resultam em menos perdas em razão de plantas invasoras ou ataques de insetos, e
isso significa aumento de produtividade por área plantada. Em última análise, a
biotecnologia reduz a pressão por novas áreas agricultáveis, preservando, dessa
maneira, também as florestas e vegetações nativas que sequestram carbono e
mitigam os efeitos do aquecimento global.
Além da contribuição que a biotecnologia já está dando
para a preservação do meio ambiente, a técnica da modificação genética tem o
potencial de fazer ainda mais. Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal
do Rio Grande do Sul (UFRGS) tem como objetivo identificar os genes que fazem
com que algumas plantas absorvam metais pesados em grande quantidade. Uma vez
desvendado esse mecanismo genético, a biotecnologia poderia contribuir, por
exemplo, superexpressando esse(s) gene(s). O resultado seria o desenvolvimento
de variedades transgênicas não comestíveis com alta capacidade de absorção,
utilizadas para recuperação de solos e águas contaminadas com metais pesados.
Outras plantas em fase de estudo são variedades
geneticamente modificadas para serem resistentes à seca. Empresas públicas e
privadas do Brasil e do mundo estão desenvolvendo, por exemplo,
canas-de-açúcar, sojas e trigos que tolerariam melhor a escassez de água do que
suas versões convencionais. Isso representaria não só a economia desse recurso
natural como permitiria a agricultura em solos que hoje sofrem com a falta de
chuvas ou reduzido acesso a outras fontes de recursos hídricos. Mais uma vez,
as florestas seriam preservadas.
Dessa maneira, não resta dúvida de que a associação entre
biotecnologia e meio ambiente já contribui para a sustentabilidade e pode fazer
muito mais pela preservação de recursos naturais.
Fonte: http://cib.org.br/em-dia-com-a-ciencia
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